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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

The Prisoner 1x06 (Series Finale): Checkmate


Palmas para a AMC, palmas para Ian McKellen, palmas para Jim Caviezel e muitas palmas para The Prisoner, a minissérie do ano, sem sombra de dúvidas. Bem produzida, roteiro impecável, atuações brilhantes e o resultado não poderia ser outro: surpreendente até o final.

Pelo menos, eu não esperava a inversão de papéis que aconteceu e muito menos o modo como tudo caminhou para isso. As duplicatas, afinal, não eram imaginação. Eram a mesma pessoa vivendo em realidades diferentes. Não apenas Six ou Two possuíam as suas. 313, 147 e qualquer outra pessoa não nascida na Vila existia em dobro, de alguma forma.

Sem opções de saída 1112 é aquele que muda a história. Mata a mãe, provedora dos sonhos que mantém o lugar existindo e, logo em seguida, se suicida.

Agora, Two ou Curtis, precisa convencer Six ou Michael a ficar e ser o novo sonhador da Vila. Para isso, conta com o amor de 313 na Vila e com a paixão de Michael por ela, no outro mundo.

A estratégia funciona. Ambos, um em cada lado da realidade, abrem mão de alguma coisa para manter a Vila viva. E por quê? Porque a Vila é um lugar especial, uma espécie de rehab imaginária, onde pessoas com problemas graves vão para se recuperar e salvar suas vidas. Loucura total, mesmo.

A situação de 313 é grave, inclusive. No mundo que conhecemos ela tem sérios problemas mentais, consequência de maus tratos e abusos sofridos na infância. Na Vila, Two usa a amizade de 147 com Six e seus sentimentos frágeis em relação à morte recente da filha para fazer seu jogo.

Durante o enterro de 1112, Six acaba aclamado como o "número um", aquele que pode salvar a todos com seus sonhos. 313 é aquela que se sacrifica e toma as pílulas para dormir. Two, faz sua saída dramática, mordendo uma granada, explodindo e voltando para a outra realidade, onde finalmente viverá em paz e feliz ao lado de Helen (M2).

Michael se transforma no chefe e comandante da Summakor, observando a vida das pessoas e escolhendo aqueles que precisam ir para a Vila, começar vida nova.

Nas areias do deserto, ao lado de 313, Six aprende que cada coisa naquele lugar é fruto de sua mente. Bolas brancas gigantes, visões, pessoas, tudo. E, sonhador que é, ele acredita realmente, que pode construir ali, um mundo muito melhor.





domingo, 22 de novembro de 2009

The Prisoner 1x05: Schizoid

Sonhos e duplicatas dão um nó na cabeça do espectador que assiste à Schizoid. É tudo tão complexo que ainda não consigo juntar as pontas para o episódio final, que vem por aí. Porém, mais verdades aparecem e Six precisa enfrentar a si mesmo, literalmente. Anda pela Vila uma cópia dele. Não um clone, não uma ilusão. É um pedaço de Six, raivoso e vingativo, mas apaixonado por 313, que está a solta. O grande desafio é reunir esses dois pedaços de volta, em uma só pessoa, porém, é muito mais difícil do que parece reunir novamente essas peças. Two também parece ter uma duplicata. Um homem cheio de candura, olhar caloroso, diferente do normal. A notícia de que existe um homem querendo se passar por ele na Vila reforça as suspeitas que caem apenas no final do episódio e nos deixam pensando o que diabos esse homem pretende.
Os jogos mentais, no entanto, não param. 313 acaba recebendo a chance de conhecer o tal outro mundo, mas, ao chegar às torres e entrar pelas portas de Summakor, ela foge da possibilidade.
Six, que na verdade se chama Michael, se descobre como responsável por muitas pessoas estarem na Vila.
Enquanto isso, 1112 ganha um dia com sua mãe e aprende que os nascidos na Vila não podem sair de lá. A frustração é grande, mas o racicíonio encaixa. A Vila é um produto dos sonhos de M2. Ela se voluntariou para dormir eternamente e criar esse lugar em sua mente. Todos os criados dentro de sua mente devem desaparecer se ela desistir de sonhar e apenas os vindos de fora teriam a chance de sair. Tudo isso, explica os enormes buracos surgidos do nada. Eles nada mais são que as lacunas deixadas por M2, a cada vez que desperta e deixa de sonhar com a Vila que sua mente mantém viva.

The Prisoner 1x04: Darling

Ah, o amor! Sentimento traiçoeiro e, agora que vi mais um The Prisoner, começo a me perguntar se é real. AMC nos presenteia com mais um episódio excelente e com a dose exata de loucura. Dessa vez, Lucy, ou melhor 415 ganha destaque na série e Six a conhece como sendo o par perfeito. Na Vila o casais são formados or uma agência de namoro, que determina quem deve se casar com quem. Muito prático para os planos de controle de Two.
Six lembra de Lucy e de seu encontro em New York. Da noite juntos, das palavras, de tudo. Mas, na Vila 415 jura que não sabe do que ele está falando e, embora retribua os sentimentos de Six, esconde uma informação importante.

E não apenas ela, já que 313 é outra que faz parte dos planos de Two e o ajuda a injetar os genes de 415 na corrente sanguínea de Six. Essa terapia do amor ajuda a manter os casais apaixonados, criando um ilusão perfeita de sentimento real.

Apaixonada por Six, 313 tenta revelar tudo, mas sua paga é ouví-lo dizer que vai se casar com 415 assim mesmo. Mas, o casamento não acontece. 313 beija Six momentos antes da cerimônia e a noiva, que finge ser cega, foge. Six corre atrás dela pelo deserto e consegue a confirmação de que Lucy está ali para amá-lo e partir seu coração, em mais uma jogada de Two. Six se sente curado desse amor fake e assiste Lucy se atirar num dos enormes e misteriosos buracos na terra. Aliás, a filha de 147 acaba caindo em um desses também e desaparece para sempre.
Os buracos, que são peça importante na trama, representam o movimento dos que entram e saem desse mundinho da Vila. Toda a vez em que M2 desperta um deles aparece. 1112, inclusive, desconfia das desculpas de seu pai, de que tudo é culpa do clima e o incentivo à criação de porcos para evitar novos buracos parece uma desculpa esfarrapada e inútil.
1112 também pede que 313 investigue as misteriosas pílulas que ele vê o pai dar à mãe, regularmente. Um sonífero, um alucinógeno e muitas substâncias sem identificação. Só sabemos que M2 vive entre dois mundos e isso pode nos trazer conclusões absolutamente interessantes e surpreendentes.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

The Prisoner 1x03: Anvil

Continuando a saga de The Prisoner, ganhamos mais um episódio excelente, revelador e muito mais confuso. Os cortes temporais são realmente de enlouquecer e muitas vezes eu me pego pensando se não deixei passar alguma coisa.
A série exige (e merece) ser vista com atenção, porque é realmente rica em detalhes e informações que, quando unidas, deverão finalizar a trama de forma brilhante.
Se terminamos de ver o segundo episódio com Six na camisa de força, nesse ela aparece adormecido, mais uma vez, no chão, num local desconhecido. Para mim, ficou essa lacuna temporal e lógica e não faço ideia se haverá um preenchimento mais para frente. O grande mote em Anvil é a espionagem, o que confirma um pouco aquele meu pensamento sobre 'O show de Truman'. Six vira espião e ao mesmo tempo é espionado. Na verdade, fica claro que ninguém está seguro e todos estão sendo observados de perto. Ao menor deslize, portanto, os traidores serão punidos.
Aliás, não existem traidores na Vila. Existem sonhadores. Essas pessoas, que ninguém sabe ao certo quem são, se reúnem e compartilham a ideia de Six, de que existe algo além. Trabalhando para Two, em busca desses sonhadores, Six parece a isca perfeita para quem deseja sair da Vila, mas, como Two sabe muito bem, ele vai fazer de tudo para acabar com a mentira ou seja lá o que for tudo isso. Six é espionado por 909, que surpreendentemente é amante/namorado de 1112, o filho de Two que tem sim, suas vontades de rebelião contra o pai. O medo, no entanto, é uma voz de comando constante na Vila, embora seja tudo muito velado. 909 acaba morto pelas mãos de 1112, que sacrifica tudo por temer o pai, após essa descoberta.
Six, que foi enviado a uma escola par ensinar espionagem e tecnologia, faz de seus alunos pequenos agentes secretos que devem descobrir quem são e o que querem os homens para quem todos trabalham.
No meio de tantas investigações e suspeitos, Six descobre que 313 está na mira daqueles que observam e ela acaba sendo levada para os Túneis.
Six pede ajuda de 1112, que age pelas costas do pai e o manda par lá. Ele consegue evitar a tragédia para 313 e 1100, uma de suas alunas mais brilhantes. Mais uma vez, ele acorda num outro momento e o recorte temporal me confunde. A pequena 1100, contudo, recebe de Two um agradecimento que se transforma em castigo. Ele sabe que a menina o esteve observando e vai mandá-la para tratamento. Tudo isso, com voz doce e calma e a bondade inata de deixá-la terminar o sorvete antes.
Tivemos ainda mais questões em que pensar. Não existe um número Um, nunca existiu e nunca existirá. Isso deve supostamente ensinar humildade. E mais. Vimos a esposa de Two despertar, mas a visita dela à Vila não pode durar muito tempo. De alguma forma ela não pertence àquele lugar e sua aparição faz surgir um enorme e profundo buraco na terra. Seria esse um caminho para outra dimensão/realidade/mundo? Estaria ela vivendo no lugar onde, antes, Six vivia, ou seja, na realidade que é a que todos nós conhecemos?
Perguntas que ainda ficam para um próximo episódio.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

The Prisoner 1x01x02: Arrival/Harmony


Com sucessos premiados como Breaking Bad e Mad Men, o canal AMC apresenta sua nova e intrigante produção: a minissérie The Prisoner, que leva o mesmo nome da produção britânica de 1967 que a originou.
Com apenas 6 episódios, The Prisoner é de enlouquecer o telespectador, no sentido bom da palavra. Fotografia, roteiro e atuações mais do que excelentes estão garantidos. No elenco temos nomes como Ian McKellen (Senhor dos Anéis) e Jim Caviezel (Paixão de Cristo).
Falando com sinceridade, a primeira metade do episódio duplo é bastante confusa e vai deixar você (se já não deixou) completamente perdido. Mas, não se sinta incapaz de compreender a série. É só uma questão de tempo até que a apresentação dos personagens seja feita e a trama comece a se desenhar de forma brilhante.
Tudo começa no deserto, onde um homem parece perdido e desorientado. Aos poucos, conhecemos Six (Jim Caviezel) que nem sabe que esse é seu nome. Aliás, um dos pontos interessantes é que as pessoas são chamadas por números e na Vila, povoado estranho onde vivem, suas casas tem a mesma numeração de seus nomes.
No deserto, Six conhece 93, um homem à beira da morte que pede que Six leve uma mensagem: ele conseguiu sair.
De início, é difícil captar qualquer mensagem, mas logo descobrimos que Six está numa espécie de realidade alternativa, um mundo paralelo, muito bem controlado por Two (Ian McKellen). Por isso mesmo, ninguém pode saber que existem mais lugares para ir, além da Vila e, mesmo que algumas pessoas tenham alguma consciência disso, o medo e a falta de lembranças claras as faz viver numa espécie de comodismo.
Six, que descobre seu nome depois de algum tempo, tem memórias vívidas da outra realidade em que esteve e aos poucos, também vamos conhecendo tudo isso.
Depois de fugir, mesmos em saber exatamente de quem, ele acaba no hospital da Vila e lá, conhece 313 (Ruth Wilson), uma médica que parece interessada em Six, ao mesmo tempo em que diz não acreditar nas coisas que ele diz.
Tudo parece um sonho. Na verdade, Six vê tudo mais como um pesadelo e logo se sente prisioneiro, em uma realidade da qual não pode fugir. O interessante é que, embora não se lembre com clareza de tudo, ele tem um imenso e incontrolável sentimento de que não pertence àquele lugar e luta para se libertar.
Two, que é um personagem no mínimo bizarro, é um homem de fala calma, mas capaz de brincar com uma granada, só para provar que tem poder.
Sua família também é estranhíssima. A esposa vive numa cama e não fala ou se mexe. Apenas permanece estática, recebendo medicamentos que o marido ministra pontualmente. O filho, 1112 é um rapaz observador que começa a desconfiar que alguma coisa naquela vida não é normal.

Logo, Six descobre que tem família. Um irmão, cunhada e sobrinhos com quem ele cria um laço rapidamente. O estranho é que Six sabe que ele e 16 não são irmãos, mas o sentimento é inevitável.

A loucura toma conta de Six em muitos momentos, especialmente quando tem visões e lembranças, às quais se agarra fortemente para tentar encontrar um caminho para fora dali.

Outro ponto muito intrigante é que na Vila não há água. Quero dizer, mares, rios, lagos. Apenas piscinas, um gigantesco deserto e muitas casinhas idênticas. Aliás, o visual é meio retrô, tanto nas roupas, na arquitetura, nos veículos,nos objetos. Tudo parece estar entre as décadas de 50 e 60.

As tentativas de fuga são sempre vãs e mesmo seguindo as torres, que parecem uma miragem no deserto, esse é um feito que parece mesmo impossível. Em sua primeira tentativa de se aproximar das tais torres, uma gigantesca bola branca o impede e faz desmaiar. Mais uma vez é 313 a ajudar. Aos poucos ela se interessa pelos relatos de Six e sinto mesmo uma vibe romântica entre eles.

Six lembra muito da infância, da praia e do mar. Encontra na Vila algumas provas de que sempre viveu ali e isso começa a criar a impressão de que ele pode estar louco. Porém, a cada momento mais pessoas que acreditam em sua teoria de que existe um mundo além da Vila aparecem. Temos, por exemplo, a mulher que ouviu o mar. O próprio 16 assume não ser o irmão de Six e esse três saem em busca de uma prova. Encontram o mar e 16 é engolido por ele, em mais uma aparição da gigantesca bola branca. No final, Six acaba preso a uma camisa de força e não pode mais lembrar seu nome de verdade. Ele se torna o que nunca quis ser: um número.

Enquanto isso, Two continua impávido. Controlador, aterrorizante, poderoso e calculista. Ele é´o único que conhece a verdade e quer evitá-la a todo custo. Até o final da segunda metade, Harmony, descobrimos ainda que Six pode estar mais ligado à Vila do que pensa. Em uma de suas lembranças ele revela que trabalha para um empresa que observava e controlava a vida das pessoas. Uma espécie de Big Brother e, ao demitir-se, ele pode ter se colocado na Vila.

Inclusive, tudo parece um pouco com "O Show de Truman", que colocava Jim carrey vivendo numa espécie de bolha. O princípio de The Prisoner parece ser o mesmo, embora seja difícil afirmar ou criar qualquer teoria por enquanto. E justamente por isso, eu recomendo que todos dêem uma chance à produção que é, acima de tudo surpreendente e uma das melhores coisas lançadas em 2009.