terça-feira, 16 de novembro de 2010

Fringe 3x06: 6955 kHz



Há sempre esperança, certo?

Essa frase tem absolutamente tudo a ver com o momento atual de Fringe na TV americana, mas vou tentar me agarrar às palavras de Peter e esperar apenas pela solução, sem comentar o problema, porque esse assunto de possível cancelamento me aborrece além da conta. Sei que esse é um tema que vive na cabeça de todos os fãs da série que, como eu, não querem que uma produção que chegou a um alto nível de qualidade seja riscada do mapa por causa de baixas audiências.

Resolvi começar dessa forma porque, de algum modo eu senti essa vibração meio conclusiva no episódio. Não sei se vocês entendem o que quero dizer. Fato é que com tantas teorias, First People e menções ao Big Bang e Big Crunch, fiquei com a sensação de estamos entrando na fase final de Fringe. Aliás, toda a temática do episódio me levou a isso. Posso estar completamente enganada (e tomara que eu esteja e que venham mais temporadas), mas quis compartilhar essa impressão geral.

Como sempre, gostei bastante do que vi, embora tenha achado algumas coisas meio lentas e até óbvias. Por exemplo, para mim, a ligação de Bolívia e de Walternativo com a história dos números era mais do que previsível. Nos últimos tempos tudo o que acontece no lado A faz parte de um plano maior arquitetado pelo lado B. De qualquer forma, não tem como não admirar o trabalho dos roteiristas e produtores, absolutamente atentos a detalhes mínimos que não apareceram na série ontem. Nem vou me prender muito à trama em si porque as coisas interessantes estão guardadas nessas coisinhas.

Todo o lance dos números foi muito legal e me trouxe inúmeros questionamentos. Um dos pontos altos foi o destaque para Astrid, que sempre acaba em segundo plano, isso, quando não perde a cena para a vaca Gene, que tem mais mugidos do que Astrid tem falas. Colocá-la como peça chave no caso dos números misteriosos foi excelente para valorizar a personagem e tirá-la daquela função de babá do Walter. Não fosse por Astrid (e aquele maravilhoso sanduíche de abacate para clarear a mente) não saberíamos que os números transmitidos há anos são, na verdade, coordenadas para encontrar as peças da máquina bizarra de Walternativo, que agora sabemos, serve para “brincar de Deus”, expandindo e retraindo a massa que forma o universo.

Toda essa maluquice tem lugar na teoria do livro ficcional de Seamus Wiles, “The First People”, que dispensa maiores apresentações porque já foi bem explicado no episódio. Mas a coisa não para por aí. O que o episódio não diz é que Seamus Wiles é um anagrama de Samuel Weiss. Isso mesmo. Aquele cara do boliche, que ajudou Olivia a superar sua crise depois da visitinha ao lado B e que mesmo não aparecendo mais, ganhou status especial na mitologia da série. Tudo o que sabemos é que ele terá importância da trama, mas ainda é impossível prever se Samuel Weiss servirá para o bem ou para o mal.

Ainda falando nos tais números e nas teorias desse livro, fiquei bastante intrigada com a ligação de Walternativo nisso tudo. Claro que é tudo proposital, mas quero saber como ele plantou as peças sem ir para o lado A? Ou se realmente os primeiros humanos fizeram tudo isso, como Walternativo descobriu e porque usaria o próprio filho numa guerra onde apenas um dos lados sobreviverá? Minha cabeça dá muitos nós e já estou doida para ver a fase dois desse plano entrar em ação.

Voltando à temática da esperança, que foi citada tanto por Nina Sharp, durante seu “Tapa na Pantera” com Walter como por Peter, achei bem interessante notar como Bolivia já questiona suas motivações. É sutil. Ela ainda age para completar sua missão, mas aquela necessidade de justificar suas ações e provar para si mesma que não está lutando pela causa errada começa a aparecer, só não sei que peso isso terá no final. Também não posso esquecer da breve aparição de Olívia, que precisa começar a agir antes que seja tarde demais.

E claro: há mais e mais detalhes. Para começar, temos um no próprio título do episódio. A freqüência 6955 é muito utilizada para transmissões de rádio pirata, tanto nos EUA quanto na Europa.



Depois, nosso flagra do Observador, parado em meio à multidão que observava o corpo destruído do shapeshifter, enquanto Peter descobre que o chip ficou totalmente destruído. Para completar, temos o Glyph Code da semana que é DECAY. Podemos traduzir como decadência, ruína, apodrecimento, declínio. Faz pensar que estamos próximos de um novo Big Crunch, que seria (ou será) causado pela engenhoca que começa a ser desenterrada pela Fringe Division, concluindo os planos de Walternativo e colocando Peter justamente na posição que Walter tanto deseja evitar.
Comentários
5 Comentários

5 comentários:

Vanessa Basqueroto disse...

Muito bom texto, e muito esclarecedor! Fico muito amedrontada pelo fim da série também!
Vamos esperar que seja somente boatos.

Erika Ribeiro disse...

Morri com esse episódio.
Foi sensacional...e acho que o tipo de abordagem mais "lenta" e usando números pode atrair os fãs de LOST.
O que na situação atual não seria ruim, pelo contrário.

Mal posso esperar pelo próximo eps.

\o/ ótima review sou sua fã !!!

isotopos Aka Ricardo disse...

Eu Assisto Fringe com raiva dos americanos pela baixa audiencia. Uma série tão boa como essa,não deveria ter a audiencia que tem.

douglasmartinss disse...

Camis, o Walternativo não plantou as peças no lado A!

Acredito que os universos são um espelho um do outro, com algumas alterações (pequenas ou grandes), mas ainda sim semelhantes, ou seja, as peças que existem no lado B tbm existem no lado A.

Eu acredito q o walternativo está fazendo é manipular o pessoal do lado A a achar as peças e montar a engenhoca assim como ele fez no lado B dele.

Talvez, eu acho, para se destruir o universo que ele quer (o lado A) tem q usar a maquina neste mesmo universo.

E como ele, até agora, não consegue vir pro lado A ele tenha manipulado tudo e todos para seu propósito: destruir o lado do sequestrador do seu filho por pura vingança.

Acho q a existencia dos Fist people realmente aconteceu, nos dois lados. E digo mais, talvez os observadores sejam provenientes desta raça de seres superiores e avançados.

Vitor disse...

Baixa audiência a parte, acredito que Fringe esteja em sua melhor fase. Todos os episódios tem relação com uma única estória, sem aqueles casos desconexos, que muitas vezes eram legais, mas meio sem finalidade aparente.

Quanto as peças da máquina pensei o seguinte: o nosso querido Walternative achou as peças da máquina no mundo dele. Montou a máquina, descobriu como funcionava e pensou: "Como vou levar isso aqui para o outro mundo e destruí-lo"? Não vai. Como os mundos são semelhantes seria mais fácil passar para o outra dimensão as coordenadas das peças que ele encontrou - para um Peter em crise de identidade - e esperar que ela seja montada do outro lado, com os recursos do outro lado, sem este outro lado saber direito o que está fazendo.

Claro, é só uma teoria :P