quarta-feira, 17 de novembro de 2010

The Walking Dead 1x03: Tell It To The Frogs


Como alguém pode definir The Walking Dead como uma série fraca?

É sério. Tenho visto um monte de gente por aí reclamando, achando ruim e fazendo mimimi por causa da “falta de qualidade” nos episódios de The Walking Dead. Acho estranho. Se demoram em fazer Rick encontrar a família é porque a série é lenta e se Rick encontra logo a família é porque apressaram as coisas. Ou seja, para os reclamões não existe saída, só argumentos pífios para justificar uma raiva besta e gratuita.

Estamos diante de uma temporada curta e se formos analisar, metade dela já se foi. Restam três episódios apenas e essa semana o foco esteve todo na apresentação dos personagens. Se você não gostou e achou lento, o problema está em você. Pare para pensar. Não dá para termos episódios 100% focados em fugas e cenas de ação. Precisamos de desenvolvimento psicológico e para mim, pessoalmente, essa é graça da coisa.

Esse grupo de pessoas está sobrevivendo a uma espécie de apocalipse. O mundo como eles conheciam se foi e é preciso se adaptar à nova realidade, conviver com as dificuldades e, acima de tudo, definir as novas regras regentes dessa micro-sociedade. Se eu tivesse que comparar a situação, usaria Battlestar Galactica como parâmetro. A premissa é a mesma e o fantástico era observar de fora o comportamento dos últimos espécimes da raça humana.

Pessoalmente, eu gostei de ver Rick chegando ao acampamento e meio que cumprindo sua jornada inicial. A partir de agora, novos dramas se desenvolvem, porque essa felicidade de rever a mulher e o filho não pode durar, já que sabemos que ela esteve se atracando pelo mato com o melhor amigo dele.

Shane, que é uma espécie de líder, começa a se mostrar uma figura complexa. Por um lado, defende as mulheres de um homem violento (ou usa isso como válvula de escape) e por outro, mentiu para Lori sobre a morte de Rick.

Como podem ver, nada é preto no branco e o acampamento mostra que a convivência não é fácil. Essas pessoas estão unidas pelo simples fato de estarem vivas e não têm laços sentimentais que os prendam uns aos outros, pelo menos, não inicialmente. A questão maior é evitar o pior e eles sabem que em grupo a proteção é mais eficaz.

Por isso mesmo, até Merle é uma peça importante e seu resgate vai além dos problemas de consciência. Ele pode ser um babaca racista, mas em termos de força bruta, é uma verdadeira arma contra zumbis. Isso, sem falar nas outras motivações materiais que estão envolvidas nessa missão.

Depois da desesperadora cena inicial eu já esperava por aquele desfecho. Um homem como Merle não se renderia tão fácil e seria capaz de cortar a própria mão para escapar. É estranho pensar na dor e no sangue frio necessário para ir até o fim, mas se estivéssemos presos naquele telhado, naquela situação, o que falaria mais alto? Quem não o faria?
Comentários
11 Comentários

11 comentários:

Mari Bisonti disse...

Um dia vou discordar de você, porque já está ficando chato..Mas é isso..

Não entendo quem acha The Walking Dead fraca..e falar em falta de qualidade então.

Mas como tudo que faz muito sucesso, divide opiniões.

Fernando Gomes disse...

Os que ficam nesse mimimi da falta de qualidade são os imbecis que só querem ver perseguição de zumbis, sangue e matança e, pelo menos pra mim, já ficou bem claro que a série é muito mais que apenas isso.

Não morri de maores por esse episódio, mas também não achei ruim como muita gente comentou pelo twitter.

Não vejo a hora para o próximo e já está me dando uma agonia de saber que a temporada está chegando ao fim e novos episódios virão apenas em 2011.

De longe, é a melhor coisa dessa FAILseason 2010.

@comentando

Anônimo disse...

Essa tal de AMC parece que entende da coisa. Depois da perfeita Breaking Bad, emplaca mais um ótimo seriado. Sem contar os 3 Emmys seguidos de Mad Men.

Souberam adaptar um bom roteiro já existente, a direção marca bem o ritmo (mesmo tendo caído um pouco nesse 3º episódio), e não economizaram nos efeitos especiais.

Espero que o nível continue. Também gosto de analisar o comportamento humano em situações de catástrofe. Seja ela qual for.

CiCiNHA disse...

Camis,

concordo com vc, como sempre.

Pra quem lê a HQ, sabe que não há nada de entediante nela, aliás mil novidades a cada história.

Amo a série e acho q merecia mais episódios na 1ª temporada, mas eu não sou a AMC...

beijoca

CiCiNHA

Lucas disse...

Eu falo pra voce que continuo 100% empolgado com a série, não vi o piloto até agora e como atrasei um pouco resolvi deixar pra ver depois que terminar a 1ª temporada, que logo logo chega ao fim. tenho lido alguns comentários meio negativos, mesmo assim não perdi nenhum pouco do animo!

@lucas_santtos

Hélio Filho disse...

Concordo com você Camis, a série não é somente sobre os zumbis, é sobre um cara que está em um mundo apocalíptico, e precisa encontrar um meio de sobreviver, e também um motivo para sobreviver. Quem pensou que a série se resumiria somente na matança de zumbis e mortos comendo tripas de cavalo, deve procurar outra coisa do gênero, pois a série é principalmente sobre pessoas! sobre como lidar com seus medos, desejos, ambições e motivos, em meio a tanta destruição. Infelizmente a série está no meio de sua temporada, por isso o ritmo um pouco acelerado. The Walking Dead continua sendo a melhor estreia do ano, pois com seis episódios , ela já fez muitas coisas que série que tem várias temporadas, nunca fez até hoje.

nerdloser disse...

é, de fato, a galera tá meio impaciente com essa série. mas se botassem ação, tiros, correria e zumbis o tempo inteiro, a graça não duraria nem até o final dessa temporada.

mas é aquilo. pra virar um battlestar galactica, que discute temas relevantes e não sei que lá, falta muito (nem tenho esperanças de que vire, te falar).

porque (pra mim) SIM, tá tudo muito preto no branco. o mocinho é bom, a mocinha é uma vítima, o merle é mal e vai querer vingança. o shane é o mais complexo da parada, mas acredito que ele vá tombando até cair do lado negro da força. tem nada de tons de cinza.

Giô disse...

Ta um pouquinho chato mas acho que é porque não teve muitos zumbis dessa vez.
O problema são os personagens clichês, (o estúpido que não está nem aí pra ninguem, o cara valentão com a esposa, o bom policial, e virão outros) mas como vc mesma sempre diz, nada como um clichê bem trabalhado, né..
Fora essas duas ressalvas, não vou parar de assistir a série até o japinha virar mortovivo ou alguém pegar o vírus e ficar agonizando até alguem dar o golpe de misericordia. (porque isso é clássico nesse estilo de entreterimento.)

Anônimo disse...

Não consigo imaginar de nenhuma forma esse ator que escolheram para o Carl, matando o Shane para proteger o pai. Mas espero que a série mantenha-se fiel a HQ.

Ananda disse...

Eu estou adorando essa série. O que foi aquele piloto!!! Já li o quadrinho até o cap.78 (Lançado pelo site VertigemHQ). O quadrinho possui diferenças da série. E é por isso que eu acredito que a série deva tomar um rumo um pouco diferente da HQ. O que eu acho ótimo, pq torna a série menos previsível e presa aos quadrinhos!

Giô disse...

Ta um pouquinho chato mas acho que é porque não teve muitos zumbis dessa vez.
O problema são os personagens clichês, (o estúpido que não está nem aí pra ninguem, o cara valentão com a esposa, o bom policial, e virão outros) mas como vc mesma sempre diz, nada como um clichê bem trabalhado, né..
Fora essas duas ressalvas, não vou parar de assistir a série até o japinha virar mortovivo ou alguém pegar o vírus e ficar agonizando até alguem dar o golpe de misericordia. (porque isso é clássico nesse estilo de entreterimento.)