domingo, 1 de maio de 2011

Fringe 3x21: The Last Sam Weiss


Só falta um episódio para podermos dizer, de boca cheia, que Fringe fez uma temporada perfeita.

Macacos me mordam! (Sempre quis usar essa frase e não sabia como). Fringe está conseguindo me deixar em cólicas para essa Season Finale, estou contando os dias, as horas, os minutos. Vai ser bom. Tem que ser bom. Só pode ser bom. Para estragar essa história toda que conseguiram criar, só fazendo muita bobagem, por isso estou confiante, embora ainda tente domar meu novo bichinho de estimação, o monstro da expectativa.

Toda essa confiança que tenho não é sem fundamento e se deve a duas pessoas, especificamente: J.H.Wyman e Jeff Pinkner, produtores que assumiram o controle criativo da série e a colocaram nos eixos de forma espetacular, costurando mínimos detalhes entre as temporadas. Claro que há uma longa lista de nomes na equipe de produção e todos merecem créditos, mas esses caras são especiais.

Prova disso está quantidade de ligações que podemos fazer com episódios passados e fatos que provavelmente estavam arquivados no fundo de nossas memórias. Exemplo perfeito disso é o lance da moeda. Lembram de “There's more than one of everything”, o episódio 1x20? Nele, Walter tem uma conversa com o Observador na praia, para ajudá-lo a lembrar onde guardara a chave capaz de fechar o portal entre os universos. Dentro da caixa onde estava a chave há também uma moeda – igual a que Peter compra na loja de penhores de NY- porém, na ocasião, Peter não se lembra da moeda ou de sua amada coleção, mesmo que ambos os Peters gostassem disso. Walter, então, deposita a moeda sob a lápide de seu filho e aí que confirmamos o seqüestro.

A perfeita ligação dos detalhes está no fato de que, ao acordar depois do acidente, Peter começa a recuperar as memórias perdidas ao atravessar para o lado A. Tanto é que ele sai em busca de seu pai -  o Secretário de Defesa -  e se comporta estranhamente com Walter e até Olivia. Toda essa mudança deve sim, ser explicada, porque ainda não dá para entender muito bem o que se passa na cabeça de Peter depois da queda. Vale notar que ao se ligar ao Dispositivo do Apocalipse ele tem diversas visões, flashs de coisas que viveu, mas também coisas que ele não viu, que me parecem ser as impressões de outras pessoas sobre ele. Talvez a máquina permita que ele perceba as sensações alheias também, do mesmo modo que o transportou para o futuro.

O mais curioso dessa nossa curta viagem no tempo é que sabemos sim, que há destruição, contudo, não há como definir o lado em que Peter está, porque nossa única evidência – o logo da Fringe Division – tem o design do Lado B, mas as cores estão diferentes nas letras, que já não são vermelhas, mas pretas. Outra coisa curiosa e que pode não ter significado algum está nas mãos de Peter, que agora usa uma aliança de casamento. Impossível saber com que ele casou ou até SE (grande condicional) casou.

“Vários futuros possíveis estão acontecendo simultaneamente. Eu posso te falar sobre todos eles, mas não posso dizer qual deles se realizará”.

Frase do Observador, também dita para Walter mais recentemente, em 'The Firefly'. Aqui, vale a teoria de que Peter esteja visualizando uma das dezenas de variações de futuro, nada concreto ainda, apenas um vislumbre das conseqüências de seus atos com o Dispositivo do Apocalipse, o que me leva a pensar que nós também estamos na mesma situação, visualizando um dos possíveis desfechos da temporada. Para descobrir alguma coisa concreta teremos de esperar, infelizmente.

Até agora estou completamente focada em Peter, mas não dá para deixar de lado o que descobrimos sobre Sam Weiss, que não é eterno, mas sim mais um, dentro de diversas gerações de homens da mesma família, com mesmo nome e mesma função. Ainda o enxergo como descendente das Primeiras Pessoas, mas aquele ar de poder que ele tinha se perdeu um pouco, já que seus conhecimentos foram úteis, porém limitados. Confesso que ri com o boliche no museu. Momento piadinha bem sacada do episódio.

Incrível a sequência sobre a tempestade de raios. Fiquei arrepiada ao ver tudo aquilo. Cenas muito bem feitas, com efeitos de qualidade e que continuam mostrando as consequências terríveis que nos aguardam, aumentando exponencialmente a culpa de Walter. Sim, ele é culpado, mas sua busca por perdão nunca acaba. Nas horas em que ele quase desiste, temos a importante figura de Astrid, sempre pronta para fazer qualquer loucura para ajudá-lo, até mesmo repetir o clássico experimento de Benjamin Franklin, comprovando que quando dois raios caem no mesmo lugar é preciso olhar para a dualidade das coisas.

Não consigo não admirar o modo didático (e criativo) com que nos explicaram o caso dos dois Dispositivos do Apocalipse, que deveriam estar no mesmo lugar para atrasar a destruição. Fiquei imaginando Broyles ali parado, fazendo o papel de ‘público de Fringe’ e foi isso mesmo.

Sobre a descoberta de que Olivia era a escolhida para desligar o campo magnético da máquina, confesso que tive um momento “Alias”. Na série, também criada por J.J. Abrams acontece algo similar com Sidney Bristow, mas aguardo uma explicação plausível  para Peter e Olivia estarem nesses esboços antes mesmo de nascerem.

Já aviso aqui que DESTINO não é uma desculpa aceitável e que farei mimimis homéricos caso isso aconteça, mas duvido muito que apostem em algo tão imbecil para explicar o porquê das coisas. Nessa hora em que questiono as possibilidades não posso deixar de citar outra ótima costura na colcha de detalhes, porque trouxeram de volta aquele caso da primeira temporada, em que Olivia desarma a bomba com a força do pensamento.


Como na maioria das vezes, o Observador se esconde em meio à multidão, mas é possível encontrá-lo sem grande dificuldade, no momento em que Peter anda pelas ruas de NY pedindo informações sobre a Loja de Penhores.


Glyph Code da vez é Multi, o que significa múltiplos. A aposta é de que a segunda parte da palavra venha na semana que vem, mesmo que ela possa se conectar facilmente à teoria dos múltiplos futuros possíveis. No entanto, não será surpresa se o último código da temporada for “VERSE”, o que formaria “MULTIVERSE”. Será que é uma dica do tema central da 4ª temporada? Não dois ou três, mas múltiplos universos? Que as horas passem velozes e os dias desapareçam no calendário, por que eu preciso saber.


Comentários
11 Comentários

11 comentários:

Zé! disse...

Terceira tempora perfeita de Fringe, mas a reta final tá me preocupando. Os roteiristas estão muito megalomaniacos. Se eles ficarem expandindo, expandindo, vai chegar uma hora que não vão conseguir explicar tudo.
Isso me preocupa. De resto, tudo uma maravilha!!

João Paulo C F Longo disse...

Olivia e Sam Langdon num museu buscando o pergaminho que salvará o mundo, e quem sabe nas letras miúdas esteja dicas pro Graal. Onde está a caixa mágica? Numa tumba! FAN TÁS TI CO.

Peter com memória confusa começa a ponderar que lado deve ser salvo. Entra na máquina e aí temos nada daquilo que todos esperavam. Esqueci que temos mais uma temporada... Ousadias? Não... Dica: nunca confie em comerciais da Fox.

Walter é Walter. A série é ele. O resto tenho preguiça. Achar o Observador? Fazia isso tempos atrás com um desenho animado cujo nome não recordo. Glyph Code? Poderiam perder mais tempo criando episódios decentes e não casos do dia disfarçados de algo relevante onde somente alguns minutos finais são proveitosos.

De qualquer forma me divirto com a série. Com 12 episódios por temporada talvez tivéssemos um roteiros menos diluído e isento de manobras baratas de roteiro.

Fiz maratona da páscoa com Fringe e não me arrependo. Queiria acompanhar uma história bem contada e nada. Sorte que conheci o Walter e fico feliz só de o ver na tela. Achei que seria o fim, mas encontrei uma luz! Não foi a de Lost, foi Game of Thrones que já está no topo de prioridades :)

 Victor Moraes disse...

Tava rolando uma teoria de que esse futuro seria a fusão do lado A com o B.

E depois de ver o promo do Season Finale, não consigo descartar essa possibilidade...

Diogo Pacheco disse...

Esta terceira temporada foi foda mas pefeita eu não achei. Para mim deu umas escorregadas com o destino, o amor, o episódio que teve a Marlene de The Big C e o flasback, que foi novela demais.

mas estou mto curioso para saber o que vai acontecer e já estou aflito pq ficaremos alguns meses na espera.

Bruna disse...

Se o Peter foi p o futuro, e continua no universo A, pq a cor do brasão Fringe Division eh amarela, e não azul? Será q com a viagem ao futuro ele criou uma realidade alternativa? Ou será que as duas máquinas criaram um efeito Casimir? Mas ai teriam dois "Peters", e ele ainda estaria jovem, mas não, ele não viajou, ele simplesmente acelerou o tempo o que fez com q a consciência dele acordasse no futuro. Ah, cansei de tanto pensar, sua teoria de q ele esteja visualizando um dos possíveis futuros eh muito mais coerente. :B

ps.: Vi a promo na esperança de q minhas duvidas fossem um pouco esclarecidas, e só surgiram mais. Já to pensando em um universo da combinação dos outros dois. Até sexta estarei off de spoilers.

Carol Tan disse...

Creio que o Peter esta no lado A, pois no fim, tem " nunca esqueceremos o que aconteceu em 11 de set de 2001, algo que somente aconteceu no lado A, visto q as torrês gêmeas estão intactas no lado B, onde o atentado não ocorreu..., Certo?? hehe

Anônimo disse...

A temporada foi perfeita mesmo, com a pequena exceção do epi 'Concentrate and Ask Again' (só por birra minha).

Sofia disse...

João Paulo, fico aqui me perguntando o que vc assiste no momento de tão incrível e bem estruturado. Não é uma crítica, só curiosidade mesmo. Fringe pra mim é a melhor série do momento, por isso estou querendo saber o que mais eu posso estar perdendo...

Sofia disse...

Camis, como sempre amo sua review, sempre apaixonada, empolgada, inteligente e recheada de pontos de vista super interessantes!
Fiquei eufórica por horas após assistir o episódio e não conseguia dormir. Pra mim foi épico, uma season finale antecipada.
E para o próximo episódio fico aguardando uma abertura futurista, já temos a vermelha, a azul, a mista vermelha e azul, a retro, porque não uma do futuro?

Depois lá no sériemaníacos eu deixo mais comentários sobre os fatos para discutirmos juntos com o grupo que já estou acostumada hehehe

reinaldo chen disse...

Camis

A loja das moedas é a mesma que a Bolivia e os shapeshifter costumavam ir ?

Será que Walter não ficou espantado poe ser uma moeda do outro lado ?

Teu review é foda demais ! Muito bom de ler para completar a experiência Fringe da semana !

Anônimo disse...

Mais um review maravilhoso!

Sobre o final, se eu não me engano é do lado A que Peter está, pois (se não me engano) quando Olívia foi ao lado B se encomntrar com Wiliam Bell no predio em que eles estavam em uma das janelas a vista era para as torres gêmeas, e foi no "mínimo" muito estranho eles mostrarem a nova torre e a homenagem as vítimas do ataque de 2001 no fim desse episódio, se não em engano é isso, aliás hoje temos a honra de reconhecer que a grande maioria das coisas em Fringe estão entrelaçadas e isso é maravilhoso, pelo menos para mim, é lindo uma história onde os "pontos estão ligados".

Também acredito na possibilidade dos vários universos, já que Fringe aborda temas pelêmicos e curiosos e isso é um tema discutido atualmente, do qual aliás é muito interessante. E também acredito que o último Glyph Code será "VERSE", e há algo revelador nisso, pois o Glyph do episódio anterior foi "AGENT" e se no fim for "VERSE" formaria "AGENT MULTIVERSE" e só nos restaria saber se isso se trata de Olívia ou de Peter.

Enfim, Fringe é fantastico, conto os dias, as horas e os minutos para assistir o proximo episódio, obrigado Camis por mais um review maravilhoso, já acompanho ha algum tempo seus reviews e nunca havia postado. Abraço! E viva Fringe!